Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012

SENSAÇÕES VS SENSASONS: Uma bela ajuda para jovens que já escrevem mal




Me chamem de exagerado se assim o acharem mas eu preferia o termo precavido.
Vi passar na TVM, a nossa televisão, uma publicidade onde se pretende descobrir apresentadores para um novo programa de televisão virado para jovens. Tal como vem escrito, o programa vai se chamar SENSASONS mas eu penso, acredito mesmo, que a ideia é SENSAÇÕES. Queria eu e muito, que a palavra SENSASONS existisse em português, poderiamos então dizer confortavelmente que é homónima homófona da palavra SENSAÇÕES mas não é o caso. SENSASONS resultou, julgo eu, duma genial “criatividade” que até podia ser considerada “inocente”  se não convivessemos excessivamente com problemas, e graves, de ortografia entre os jovens e não só. Temo que alguns jovens(alvo do programa), que já escrevem mal pensem inocentemente que SENSAÇÕES se escreve SENSASONS. Nesse caso, os mentores do programa terão dado uma “bela ajuda para jovens que já escrevem mal”

Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

ELEIÇÕES INTERCALARES EM INHAMBANE: DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS COM QUELIMANE



Como devem imaginar, já estamos a menos de dois anos para o fim do mandato e, na sequência disso, existe um manifesto que está a ser cumprido, mas há consciência de que temos de abrir novos desafios. Quero dizer com isso que não nos vamos cingir apenas em continuar aquilo que estava a ser feito, e bem feito, mas vamos começar a dar atenção a outras questões”

Assim se pronunciou e bem Benedito Guimino, na sua primeira entrevista depois de ser eleito candidato da Frelimo às intercalares em Inhambane.
Completamente diferente do derrotado Lourenço Bico de Quelimane que só falava em continuar oque estava sendo feito pelo cessante Pio.
A vantagem do discurso “não nos vamos cingir apenas em continuar aquilo que estava a ser feito” reside na possibilidade de conquistar a simpatia de quem quer ver muito mais a ser feito ou quem não vê com muito bons olhos o trabalho que esta a ser feito.

Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012

ELEIÇÕES INTERCALARES EM INHAMBANE: QUAL É O PROGNÓSTICO?


Prestando atenção  para as notícias que nos chegam de  Inhambane, parece que as lições da derrota de Quelimane foram levadas bem a sério pela Frelimo. Em Inhambane, para enfrentar Fernando Nhaca, candidato do MDM, a Frelimo, numa enorme dificuldade se tivermos em conta o número inicial de candidatos(mais de dezena e meia) e o tempo que o processo levou, conseguiu “aranjar” Benedito Guimino, um candidato com perfil bem parecido. Se alguém me disser tratar-se duma mera coincidência, simplesmente terei dificuldades em acreditar. Imagine-se que com o seu candidato professor o MDM queira aproveitar a campanha eleitoral, para “denunciar” a banalização que essa classe tem sido vitima, há que encontrar uma forma de “equilibrar a balança” e “ter também” um professor como candidato parece ser um bom passo. Se eu estiver certo, a Frelimo ter mesmo aprendido com a terrível derrota sofrida em Quelimane,  deverá por exemplo evitar deslocar-se “toda ela” para Inhambane, acabando por ofuscar a imagem do candidato. O país não precisa parar, e todos os ministros, secretários permanentes, directores nacionais, provinciais, presidentes dos municipios entre outros, deslocarem-se todos a Inhambane para a campanha eleitoral. É obviamente importante que o candidato seja apoiado pelos membros seniores do seu partido mas por favor que seja de forma moderada. Haja espaço para ele discursar, apresentar pessoalmente  as suas ideias de governação.
A Frelimo deverá também evitar usar ostentiva e abusivamente os meios do estado para sua campanha eleitoral como temos ouvido ser reportado em eleições passadas.
Bem, eu acho que se espera um bom e equilibrado embate eleitoral em Inhambane e como fui habituado, já estou até a espera de prognósticos e seus respectivos fundamentos é claro.

Sexta-feira, 23 de Setembro de 2011

DISCURSO DE DESPEDIDA DE RUPIAH BANDA: um exemplo que vale a pena seguir


Rupiah Banda do MMD perdeu as eleições presidenciais zambianas para Michael Sata. A instantes, recebi o pacífico e pacificador discurso de despedida de Rupiah Banda que asseguir transcrevo. Banda deixa claro que pelo facto do seu partido ser democrático, aceita os resultados das eleições, aceita mudança e assume a responsabildade pela derrota. Dois parágrafos(11, e 12) do discurso me marcaram de forma especial. Neles, Banda elogia os esforços de Frederick Chiluba e do partido MMD por ter tornado a Zâmbia num estado genuinamente multipartidário mas desconfia que ao longo dos anos se tenham tornado complacentes com os seus ideais, não tenham ouvido, lhes tenha carecido ideias por isso a missão agora é reflectir  sobre qualquer erro que tenha sido cometido e aprender deles caso contrário não merecem voltar a concorrer para o poder.   Devia ser esse o espírito dos derrotados nas eleições e não as várias manobras que temos visto acontecer e que terminam em “crise política” e ou em “Governo de Unidade Nacional” e etc etc.


FAREWELL SPEECH BY HIS EXCELLENCY, MR RUPIAH BWEZANI BANDA,
FOURTH PRESIDENT OF THE REPUBLIC OF ZAMBIA,

ON FRIDAY, 23RD SEPTEMBER, 2011

"I HAVE CALLED THIS PRESS CONFERENCE TO SAY A FEW WORDS. THE ELECTION CAMPAIGN OF 2011 IS OVER. THE PEOPLE OF ZAMBIA HAVE SPOKEN AND WE MUST ALL LISTEN. SOME WILL BE HAPPY WITH WHAT THEY HAVE HEARD, OTHERS WILL NOT.

THE TIME NOW IS FOR MATURITY, FOR COMPOSURE AND FOR COMPASSION. TO THE VICTORS, I SAY THIS: YOU HAVE THE RIGHT TO CELEBRATE BUT DO SO WITH A MAGNANIMOUS HEART. ENJOY THE HOUR BUT REMEMBER THAT A TERM OF GOVERNMENT IS FOR YEARS.

REMEMBER THAT THE NEXT ELECTION WILL JUDGE YOU ALSO.
TREAT THOSE WHO YOU HAVE VANQUISHED WITH THE RESPECT AND HUMILITY THAT YOU WOULD EXPECT IN YOUR OWN HOUR OF DEFEAT.

I KNOW THAT ALL ZAMBIANS WILL EXPECT SUCH BEHAVIOUR AND I HOPE IT WILL BE DELIVERED. SPEAKING FOR MYSELF AND MY PARTY, WE WILL ACCEPT THE RESULTS. WE ARE A DEMOCRATIC PARTY AND WE KNOW NO OTHER WAY.

IT IS NOT FOR US TO DENY THE ZAMBIAN PEOPLE. WE NEVER RIGGED, WE NEVER CHEATED, WE NEVER KNOWINGLY ABUSED STATE FUNDS. WE SIMPLY DID WHAT WE THOUGHT WAS BEST FOR ZAMBIA. I HOPE THE NEXT GOVERNMENT WILL ACT LIKEWISE IN YEARS TO COME.

ZAMBIADESERVES A DECENT DEMOCRATIC PROCESS. INDEED, ZAMBIA MUST BUILD ON HER PAST VICTORIES. OUR INDEPENDENCE WAS HARD WON, OUR DEMOCRACY SECURED WITH BLOOD.

ZAMBIAMUST NOT GO BACKWARDS, WE MUST ALL FACE THE FUTURE AND GO FORWARD AS ONE NATION. NOT TO DO SO WOULD DISHONOUR OUR HISTORY.

TO MY PARTY, TO THE MMD CANDIDATES WHO DID NOT WIN, THE LESSON IS SIMPLE. NEXT TIME WE MUST TRY HARDER.
WE FOUGHT A GOOD CAMPAIGN. IT WAS DISCIPLINED. I STILL BELIEVE WE HAD A GOOD MESSAGE AND WE REACHED EVERY PART OF THE COUNTRY.

WE TRAVELLED TO ALL NINE PROVINCES AND WE SPOKE TO ALL ZAMBIANS. TO THOSE WHO WORKED EVERY HOUR OF THE DAY, I SAY ‘THANK YOU’. YOU HAVE DONE YOUR BEST. BUT, SADLY, SOMETIMES OUR BEST IS NOT GOOD ENOUGH.

DO NOT BE DISHEARTENED. THE MMD WILL BE BACK. WE MUST ALL FACE THE REALITY THAT SOMETIMES IT IS TIME FOR CHANGE. SINCE 1991, THE MMD HAS BEEN IN POWER. I BELIEVE WE HAVE DONE A GOOD JOB ON BEHALF OF ALL ZAMBIANS.

FREDERICK CHILUBA LED US TO A GENUINE MULTI-PARTY STATE AND INTRODUCED THE PRIVATE SECTOR TO OUR KEY INDUSTRIES. ZAMBIA WAS LIBERATED BY AN MMD IDEAL BUT MAYBE WE BECAME COMPLACENT WITH OUR IDEALS. MAYBE WE DID NOT LISTEN, MAYBE WE DID NOT HEAR.

DID WE BECOME GREY AND LACKING IN IDEAS? DID WE LOSE MOMENTUM? OUR DUTY NOW IS TO GO AWAY AND REFLECT ON ANY MISTAKES WE MAY HAVE MADE AND LEARN FROM THEM. IF WE DO NOT, WE DO NOT DESERVE TO CONTEST POWER AGAIN.

THE ZAMBIA WE KNOW TODAY WAS BUILT BY AN MMD GOVERNMENT. WE KNOW OUR PLACE IN HISTORY AND WE KNOW THAT WE CAN COME BACK TO LEAD AGAIN IN THE FUTURE. A NEW LEADERSHIP WILL BE CHOSEN, AND THAT LEADERSHIP WILL BE FROM THE YOUNGER GENERATION.

MY GENERATION… THE GENERATION OF THE INDEPENDENCE STRUGGLE-- MUST NOW GIVE WAY TO NEW IDEAS; IDEAS FOR THE 21ST CENTURY. FROM THIS DEFEAT, A NEW, YOUNGER MMD WILL BE RE-BORN. IF I CAN SERVE THAT RE-BUILDING, THEN I WILL.

I MUST THANK MY CABINET FOR DELIVERING ON OUR PROMISES. WE DID A LOT OF GOOD FOR ZAMBIA. MANY OF OUR PROJECTS WILL BLOSSOM INTO BRIGHT FLOWERS. SOME OF YOU WILL BE BACK TO SERVE ZAMBIA AGAIN – I KNOW YOU WILL DO YOUR BEST FOR YOUR PARTY AND FOR YOUR COUNTRY.
TO THE CIVIL SERVANTS AND GOVERNMENT OFFICIALS, IT HAS BEEN A PRIVILEGE TO SERVE WITH YOU. WE HAVE WORKED MANY LONG HOURS TOGETHER. WE DID IT NOT FOR OURSELVES BUT FOR ZAMBIA. SERVE YOUR NEXT MASTERS AS YOU DID ME, AND ZAMBIA WILL BE IN GOOD HANDS.

I MUST THANK MY FAMILY AND MY WIFE. THEY HAVE STOOD BY ME AND I CANNOT ASK FOR MORE LOYALTY THAN THAT WHICH THEY HAVE DISPLAYED. I LOVE YOU ALL DEARLY AND I WILL ALWAYS BE IN YOUR DEBT.

BEING PRESIDENT IS HARD WORK, IT TAKES LONG HOURS OF WORK. AND BECAUSE OF IT, I HAVE NOT ALWAYS BEEN THERE FOR YOU. YET, STILL YOU WERE THERE FOR ME.

WORDS CANNOT EXPRESS THE DEPTH OF MY LOVE FOR YOU ALL. ALL I ASK IS THAT MY FAMILY CONTINUES TO SERVE ZAMBIA AS I HAVE SOUGHT TO DO.

BUT MY GREATEST THANKS MUST GO TO THE ZAMBIAN PEOPLE. WE MAY BE A SMALL COUNTRY ON THE MIDDLE OF AFRICA BUT WE ARE A GREAT NATION. SERVING YOU HAS BEEN A PLEASURE AND AN HONOUR. I WISH I COULD HAVE DONE MORE, I WISH I HAD MORE TIME TO GIVE.

NOW IS NOT THE TIME FOR VIOLENCE AND RETRIBUTION.
NOW IS THE TIME TO UNITE AND BUILD TOMORROW’S ZAMBIA TOGETHER. ONLY BY WORKING TOGETHER CAN WE ACHIEVE A MORE PROSPEROUS ZAMBIA.

I HAVE NO ILL FEELING IN MY HEART; THERE IS NO MALICE IN MY WORDS. I WISH HIM WELL IN HIS YEARS AS PRESIDENT.
I PRAY HIS POLICIES WILL BEAR FRUIT.

BUT NOW IT IS TIME FOR ME TO STEP ASIDE. NOW IS THE TIME FOR A NEW LEADER. MY TIME IS DONE. IT IS TIME FOR ME TO SAY ‘GOOD BYE’.

MAY GOD WATCH OVER THE ZAMBIAN PEOPLE AND MAY HE BLESS OUR BEAUTIFUL NATION.

I THANK YOU.

Terça-feira, 20 de Setembro de 2011

AS LÁGRIMAS DE CROCODILO DE MANUEL DE ARAÚJO

Foi assim que alguém denominou as lágrimas que Manuel de Araujo, candidato à sucessão de Pio Matos no município de Quelimane nas eleições intercalares de Dezembro, deixou “rolar” durante a entrevista concedida ao jornal " O País". Entrevista cujos assuntos abordados estão a suscitar várias leituras desde a questionamento em torno da verdadeira motivação de Manuel Araújo se candidatar, o tratamento que os quadros da frelimo provenientes da Zambézia, vendedores do Mercado Estrela receberão em virtude do apoio que MA diz ter recebido deles até à dificuldade que a Frelimo tem em achar um candidato. 

Questiona-se por exemplo se MA não teria outra forma de ajudar o municí pio sem ter que se candidatar; se O MDM não o desencaminhará da sua paixão por uma Quelimane diferente entre outras questões.

A experiência me manda acreditar que neste país, os interesses político- partidários muitas vezes senão todas, se sobrepões aos interesses genuinamente do povo e nesse caso específico os zambezianos. Aos poucos vou deixando de acreditar que haja quem se candidate à postos como esses pensando pura e simplesmente no povo. Não tenho dúvidas que MA tenha uma vasta lista de formas de ajudar o município e que ser o mayor da cidade seja uma delas, agora se é a melhor ou não, tenho neste momento, dificuldades de avaliar.
Por conta de história, da experiência, o gesto de MA pode sim ser considerado individual e egoísta com vista a satisfazer os seus intentos pessoais em detrimento da maioria mas sua possível eleição, o apoio que efectivamente receber dos quelimanenses, e o trababalho que for a fazer(mostrar) como mayor nos permitirão afirmar sem equivocos oque o motivou a se canditar em substituição de Pio Matos.
Vamos às hipóteses. Hipóteses e apenas isso!
Quanto ao tratamento que os “quadros séniores do partido no poder, provenientes da Zambézia” vão receber depois do que MA disse, eu penso que aqui “mora” um assunto grosso e de difícil digestão. Se de facto forem marginalizados dentro do Partido por conta do apoio que MA diz ter recebido deles, significará que a Frelimo acredita, com ou sem provas que realmente tenham apoiado ao “ adversário”, e aqui há mais. Se realmente apoiaram o adversário pode significar que não tenham concordado com a forma com o assunto Pio Matos foi gerido pelo partido, ou na pior ainda que estejam desgastados com a liderança da Frelimo no município. Se por outro lado a frelimo não levar a sério as afirmações de MA pode significar que acredite piamente nos tais quadros ou tenha provas de que as declarações de MA não passaram de um discurso típico de campanha eleitoral.
Quanto aos vendedores ambulantes do Estrela, alguém, questionava oque o apoio deles tem a ver com Quelimane. Tanto quanto sei, “pululam” por lá muitos machuabos, conterrâneos do MA e alguns moçambicanos oriúndos de Nampula. Se efectivamente esses vendedores apoiam MA pode ser não só por serem de Quelimane mas por acreditarem/anseiarem por alguma espécie de mudança que acreditam ser possível com MA e ou não necessariamente com o MDM. Não acredito que sejam tratados pior do que já são por conta do apoio à MA. Aliás não teriam apoiado ao “adversário” se estivessem satisfeitos.
 Na relação MDM/MA parece ser onde tenho maiores problemas. É MA efectivamente membro do MDM ou simplesmente concorre com o apoio do MDM?
Tanto na primeira assim como segunda possibilidade, a ser eleito, sua liderança será de alguma forma influenciada pelo MDM embora em proporções diferente sendo maior na primeira possibilidade. Se o MDM pretender por exemplo usar Quelimane, em caso de uma possível victória, como modelo de boa gestão municipal e dai tirar trunfos para as futuras eleições autárquicas, atrevo-me a acreditar que dará o melhor de si e sendo assim não há riscos de “desencaminhamento” do amor que MA diz ter pela cidade.

Fico no entanto muito intrigado pela aparente “dificuldade” que a frelimo tem em achar um candidato ideal para Quelimane e não acredito que essa dificuldade tenha simplesmente a ver com a “estatura” de MA(académico, natural da Zambézia). Tenho para mim que ela tem também a ver com Pio Matos que me parecia bem “implantado” na alma dos machuabos. Li também algures que uma das possibilidades é o empresário Lourenço Aboobacar que foi uma das vezes derrotado por Pio Matos nas eleições internas. Isso tudo deixa a claro a dificuldade em achar alguém que seja um substituto de Pio Matos e simultaneamente um bom adversário de MA.
Em jeito de conclusão, concordo plenamente com quem diz que essas eleições serão “um teste a maturidade política do Zambeziano” e quiça à hegiemonia que com toda evidência, a Frelimo goza.
 Nelson Livingston
P.S: Deve ter razão o Karim que diz que “Essas eleições vão animar”, não é que parece que vão mesmo animar!!!


Sexta-feira, 26 de Agosto de 2011

Se Kadafi fosse amigo de Samora Machel

Por Wagner Mangue

Um ambicioso é capaz de tudo! Pode vender a pátria, só por causa da sua ambição.
Samora Machel
 
Se alguém lúcido disser que fica surpreendido com alguma coisa neste mundo, juro que vou duvidar da sua idoneidade. Acredito que estamos a viver uma revolução, a mesma que o homem viveu quando descobriu o fogo, pois, a partir daquele momento, tudo na sua vida mudou.

Muitas vezes, a mudança aparece sem nos avisar e só nos damos conta quando ela já esta dentro de nós. E por vezes mudar não é fácil.

Pensei que fosse gozo quando, de madrugada, recebi um comentário no facebook referindo que os rebeldes (assim chamados) já estavam em Trípoli e que o dia ia amanhecer com a desejada revolução na Líbia. Li o comentário, mas não o levei a sério. Mas, com o dia a amanhecer, junto da televisão, pude confirmar que o comentário era real, e devo confessar que foi um balde de água fria para as minhas expectativas acerca ao desfecho do caso líbio.

Nessa altura, tentei esboçar um outro cenário a que o Coronel poderia recorrer, para ter a situação a seu favor, mas constatei que já era tarde demais. já quase nada podia ser feito, e a grande preocupação que devia ter seria proteger a sua vida.

O mundo é feito de boas e mais amizades, e o líder estava rodeado de gente que fingia amá-lo, enquanto queria vê-lo na situação em que está hoje.

Kadafi possuía a lâmpada mágica (petróleo), e essa era cobiçada por muitos. A lâmpada mágica dava asas ao Coronel e ele podia fazer e dizer o que quisesse, porque o “génio” realizava todos os seus desejos. Os desejos do coronel irritavam certas pessoas, as quais não vale a pena citar, porque já sabemos quem são.

O nosso Coronel pecou em não ser amigo do Marechal Machel, porque, garanto, se fossem amigos, nada disso teria acontecido, porque iria muito bem lembrar-se da sua forma de ser e de resolver os problemas. Uma das maiores lutas que o nosso Presidente Samora Machel travou foi a luta contra o tribalismo.

Aliás, o tribalismo foi o que traiu Kadafi, porque um povo que aparentemente tem a mesma forma de pensar pode transformar-se numa verdadeira bomba relógio.

Samora Machel, num discurso proferido na passagem do 10 aniversário da nossa independência, disse: “Nenhuma força do mundo vai vencer a força do povo moçambicano… a nossa pátria será túmulo para todos os capitalistas e imperialistas”. a retaguarda segura do marechal era o povo. um povo unido vence qualquer inimigo. exemplos disso foi a destruição do sistema colonial português, que acumulou várias baixas.

A força do povo é fundamental, e quanto mais estivermos unidos, mais vitórias podemos alcançar. O Coronel esqueceu-se disso.

QUE LIÇÃO PODEMOS TIRAR DO CASO LÍBIO
Está provado que a história se repete. Se, antes, o Ocidente vinha por causa de “trocas” comerciais, agora, vem para levar tudo a todo o custo.

O caso líbio tem que servir de lição para todos nós, porque hoje podemos ser amigos, mas amanhã as coisas podem mudar. e quando o povo não está com os seus líderes, dá espaço para a pilhagem de recursos. Os ambiciosos, neste momento, querem o petróleo. amanhã, vão descobrir que o mesmo não chega. nesse momento, virão atrás de gás, carvão, madeira, terra e o que mais os satisfaz. nesse sentido, vão fazer-nos o que fizeram na Líbia, porque vão também agitar, até alcançarem os seus intentos.

Neste momento, não existe relação entre estados, existem somente interesses. por isso, devemos estar em alerta, antes que seja tarde demais!